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Pórtico de São Fernando

O Pórtico de S. Fernando ou S. Fernandes, como lhe chamam os mais idosos, fica situado na Quinta da Mongeralda, junto à estrada que liga a sede da freguesia a Porto Peles. É formado por um arco de volta inteira em granito, que assenta em duas jambas de mármore. As aduelas são facetadas de ambos os lados, não apresentando qualquer tipo de ornamentação lavrada na pedra. A ladeá-lo tem dois contra-ofertes apilastrados, encimados por pináculos piramidais.No frontão está um nicho com um painel de azulejos, representando S. António. O frontão era rematado por uma moldura em argamassa e coroado por uma cruz sobre uma peanha em mármore ornamentado com folhas de acanto. O pórtico era completado com uma porta de cada lado, acusando reminiscências dos arcos de triunfo. Presentemente estas duas portas estão destruídas e entaipadas. Segundo a tradição, em frente deste pórtico realizava-se antigamente uma grande festa dedicada a Santo António, talvez devido ao facto deste santo ter sido baptizado com o nome de Fernando.
Os painéis que encimam o pórtico são dois. Um virado para a estrada e outro para o interior da quinta. O primeiro representa Santo António, possivelmente o santo da devoção do seu proprietário, e o segundo Nossa Senhora das Neves, padroeira da freguesia.
O painel com o santo António é composto por 8x7 azulejos, bastante deteriorados. Representa o santo aureolado e segurando na mão esquerda uma cruz. A figura é enquadrada de ambos os lados por ciprestes. Em baixo, à esquerda, estão alguns peixes na água ─ alusão ao milagre de Santo António. A cercadura que serve de moldura a este painel é constituída por ornatos de acantos amarelos sobre fundo branco limitados por barras azuis e amarelas. Este tipo de cercadura é muito comum na azularia da segunda metade do século XVII.
O desenho do painel é feito a manganês e de execução bastante ingénua, o que denuncia a origem popular do seu autor. As cores utilizadas são características dos painéis ─ registo da azulejaria seiscentista ─ azul, amarelo, branco, verde e castanho. O painel que representa Nossa Senhora das Neves é formado por 9x7 azulejos, muito mal conservados. A padroeira da freguesia está pintada segundo a iconografia tradicional ─ de pé, coroada e com o menino Jesus ao colo, igualmente coroado e segurando na mão uma bola que representa o mundo. Dois anjos estão ajoelhados a ladear a imagem, segurando cada um o seu turíbulo. Uma auréola envolve toda a figura, acentuando de forma exagerada o simbolismo da representação. Em baixo vê-se um anjinho barroco com a inscrição: N.S DAS NEVES. Os cantos superiores são decorados com enrolamentos de ornamentação barroca. A emoldurar o painel foi utilizada uma cercadura, igualmente de folhas de canto.
Por este arco, passava a canada de Serpa, que ligava a serra de Serpa com os campos baixos dos arredores de Beja. Era por aqui que os pastores e os seus enormes rebanhos passavam no seu movimento de transumância. Perto do pórtico da quinta passava uma antiga estrada que seguia paralela atravessando mais à frente um ribeiro, através da demolida ponte romana de Porto Peles.

Igreja Paroquial

A edificação da igreja paroquial de Nossa Senhora das Neves, nas primícias denominada Santa Maria das Neves, é anterior a 1534, pois, nessa data, por determinação do Padre António Pereira, sofreu a ampliação do seu altar-mor e foram demolidas as casas do ermitão que estavam ligadas ao corpo da igreja e procedeu-se ao arrendamento do adro e do passal do curado.
Com efeito, apesar de não possuirmos documentação que o ateste, o facto do culto a Nossa Senhora das Neves ser muito antigo e motivo de velhas peregrinações, aliado à existência de um fragmento de friso com decoração visigótica embutido numa das paredes laterais, parece apontar no sentido de ter existido aí um antigo templo visigótico.Situada no cômoro mais elevado da povoação, dominando ao ocidente a silhueta da cidade de Beja, recortada pelos coruchéus das suas igrejas e pelo seu pitoresco casario, a igreja paroquial de Nossa Senhora das Neves conserva grande parte da sua estrutura manuelina.
Antecede a frontaria uma gaillé abobadada com três arcos semicirculares, estando os dois laterais actualmente fechados por bancos em alvenaria. O seu portal é gótico, de pedra da região, com base rebordada e composto por capitulação floral e discóide inscrevendo-se num arco policêntrico, com toros e elementos ornamentais típicos da arte manuelina. Sobre a gaillé existe um pequeno terraço circundando por uma decoração de tijolos dispostos em diagonal, formando o remate da gaillé. A meio dela e sobre o arco dianteiro ergue-se a torre sineira, que sustenta um sino de bronze fundido, decorado pela efígie de Nª Sª das Neves. Séc XIX.
Ao transpormos o antigo portal encontramos a nave de planta rectangular, em grossa alvenaria alva de caio, que se dispõe em três tramos de arcadas cegas fechadas por abóbada de arcos góticos, de chanfraduras e tem, a meia altura dos pilares formeiros, pequenas mísulas poligonais. Uma única luneta axial, ilumina o seu sombrio interior.
Junto da boca do presbitério e compondo os alçados, existem dois altares, que dão pelos títulos Nª Sª do Rosário, no lado do Evangelho, e Almas Santas, no lado oposto. O primeiro conserva a imagem de Nossa Senhora do Rosário, feita de roca, e retábulo de talha policromada, do estilo rococó, revestido de cariátides, lambrequins, vieiras esterilizadas e outras ramagens(1).
O altar sobranceiro, mais trabalhado e também de talha colorida, ostenta o grande painel pintado a óleo sobre tela e de cabeça semi-circular, das Almas do Purgatório. Na banqueta exibem-se as imagens tradicionais, S. Miguel Arcanjo, aparentemente dos fins do séc. XVII, Santo António e São Sebastião, todos de madeira estofada.
No Baptistério, sobressaem duas esculturas de lenho, que datam também do século XVIII, representando S. Vicente Ferrer e S. Domingos de Gusmão, ambas medindo cerca de 90 cm de altura.
Mais antigos e curiosos são dois painéis de pintura sobre tábua, encaixilhados em talha dourada e de lóbulos, decerto fragmnto do antigo retábulo da capela-mór, os quais representam o Casamento da Virgem e a Circuncisão.
O gradeamento de madeira, do Baptistério, prolongado por forro e guarnição de pinturas com sanefas e albarradas de flores, é obra setecentista. Ainda do séc. XVI é a pia baptismal, circular e de base atarracada, revestida de elementos geometrizantes, de reminiscência renascentista, lavrada em pedra de Trigaches, com tampa de lenho pintada com ornatos naturalistas,
A sua capela-mor é de planta rectangular e tecto redondo, de alvenaria, antecedida de alteroso arco-mestre. Sofreu várias transformações, a primeira, em 1534, que conservou as mísulas manuelinas de pedra, e a que chegou ao nosso tempo e aparenta ser de meados do séc XVIII. De 1902 é o grande janelão que a ilumina, custeado pelo benemérito Manuel Guerreiro da Costa Branco.Quinto-joanino e do 1º terço de setecentos parece ser o retábulo de talha dourada, do barroco nacional, constituído por duas colunas salomónicas revestidas de uvas, parras e aves simbólicas, capulhos, florões, lambrequins, vieiras e outros ornatos peculiares do estilo. A banqueta é recoberta dos mesmos elementos decorativos, assim como o Sacrário, este de fustos torsos, fogaréus e cabeças de anjos. O camarim e o trono são coevos, de sanefas alternadas e coroa, também de talha, ladeada por dois anjos candelários, policromados. Na maquineta superior, expõe-se a imagem de madeira estofada do Senhor Crucificado. Na parte inferior do camarim, encontra-se hoje, a imagem da padroeira, Nossa Senhora das Neves, exposta à veneração dos fiéis. Esta escultura, que está vestida de primavera, é de madeira estofada e pelo seu difícil exame directo, julga-se ser ainda do séc. XVIII. Com cerca de 1 metro de altura, a Senhora, tem boa coroa de prata branca e ostenta o Menino ao colo.
O interior do camarim está todo pintado a fresco e tintas de óleo com temática sacra, do estilo barroco tradicional.
De fundamentos quinhentistas é o recorte exterior da sacristia. Cobre-se, no seu interior, por um cúpula de linhas radiadas e lanterneta circular, dispõe-se em planta quadrada, com cúpula de meia laranja assente em trompas, não conservando vestígios de decorações murais.
Dimensões interiores da igreja: Nave – compr. 12,30x7,60m; capela-mór: compr. 5,70x4,70m. Segundo documentação do século XIX, esta Igreja era local de uma grande peregrinação anual, a qual juntava os moradores de todos os montes e quintas ao redor. Nessa altura realizava-se uma procissão que saía da igreja e circundava o belo cruzeiro manuelino. Para além do aspecto religioso, esta peregrinação tinha igualmente a sua parte profana que consistia nas tradicionais «cavalhadas», muito usuais, no Alentejo.

Lenda associada à origem da Igreja

Segundo a lenda, os habitantes de um pequeno povoado, que existia naquele local, decidiram construir num sítio previamente por eles escolhido, uma capela em honra da Virgem Maria. Marcaram o espaço e lançaram-se ao trabalho. Só que, no dia seguinte todas as ferramentas tinham desaparecido e se encontravam reunidas numa colina próxima. Julgando tratar-se de uma brincadeira de mau gosto, foram buscá-las e recomeçaram o trabalho. No outro dia e nos dias que se seguiram a cena repetiu-se sem que houvesse uma explicação lógica para tal. A repetição deste insólito acontecimento, levou a população a pensar que a Virgem não aceitava o lugar escolhido para a capela.
Ainda na dúvida acerca do local a eleger, repararam que começara a nevar no cimo da colina, onde as ferramentas apareciam todos os dias. O sol brilhava e não havia uma nuvem no céu mas o cimo da colina ficara todo coberto de uma espessa camada de neve. Ergueram aí a capela em honra de Nossa Senhora das Neves e assim surgiu o nome da aldeia.
Ainda hoje se podem ver, na sacristia da igreja, vários quadros, representando milagres, atribuídos a Senhora das Neves, que são testemunhos da enorme devoção que o povo lhe consagra.

 


1 No ano de 1982, ao proceder-se a obras de beneficiação interiores da igreja, este altar foi deslocado para o alçado imediato da mesma face da nave, por se ter descoberto, na parede uma pintura híbrida representando a Santíssima Trindade e a coroação da virgem e o calvário, iluminado no fundo, pela silhueta da cidade de Jerusalém.

Cruzeiro Manuelino de Nossa Senhora das Neves

O Cruzeiro de Nossa Senhora das Neves podemos contemplá-lo, actualmente, defronte da Igreja, numa pequena rotunda relvada, depois de, em 2003, a Junta de Freguesia ter decidido mudá-lo, no sentido de lhe dar maior destaque e embelezar o largo. O seu local original situava-se a cerca de 200m da frontaria da igreja, na íngreme encosta ocidental, em terra de semeadura, de difícil acesso o que lhe dava um ar de abandono e à mercê da maquinaria agrícola, tendo sido colocado nesse local um marco em mármore indicativo.
O Cruzeiro quinhentista é constituído por uma base circular guarnecida por uma cercadura de tijolos colocados em cutelo, sobre a qual assenta uma coluna de mármore que tem, na parte superior, um disco encordoado e, na inferior, uma peanha em mármore. A coluna é rematada por uma bela e artística cruz manuelina, que foi reconstruída a partir de três fragmentos da original que se partiu nos anos sessenta.
A cruz tem a frente decorada com um caprichoso entrelaçado, o que sugere a evolução de um tronco de videira unindo, entre si, três flores de alcachofra entreabertas nas extremidades dos braços. No lado contrário, e sob a alcachofra do braço vertical, é visível uma inscrição com as iniciais I.N.R.I. (Jesus Nazarenus Rex Judeorum), gravadas na pedra. Segundo fontes documentais do séc. XIX efectuava-se uma procissão que partia da Igreja e circundava o belo cruzeiro manuelino.

Fortificação Romana do Monte da Robala

Desconhecida pela maior parte da população da Freguesia, encontra-se esta fortificação romana, em ruínas, junto ao Monte da Robala. No livro “A Cidade Romana de Beja”, Maria da Conceição Lopes, decreve-a da seguinte forma:
“No topo de uma elevação pouco pronunciada a sul e oeste, mas bem definida a norte, encontra-se uma estrutura complexa de vários compartimentos feitos de pedra ligados por argamassa. Alguns compartimentos parecem ser tanques e outros, por terem porta, salas. São sem dúvida construídos em época romana. Um muro largo de 1,20m contorna todo o edifício, formando uma espécie de muralha. Dispersos por uma área de cerca de 10 000m2, na encosta em torno deste edifício, encontrámos vastos materiais romanos de que destacamos, ânforas, T.S.S, T.S.H e T.S.Cl.A e D. No Monte do Bom Dia, situado cerca de 500m a SE, encontra-se um fuste de coluna que poderá ter sido recolhido neste sítio.”

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